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Astolfo já estava cansado da viagem. Faltava quase meio dia de caminhada para chegar na cidade e… basicamente descobrir o que ele teria que fazer ali. A pontada de arrependimento voltava a cutucar seu estômago por dentro. Por que diabos tinha aceitado aquela missão? Ele era um grande guerreiro, sim, famoso em uma boa parte do território. Astolfo, o Destemido, era como o chamavam àquela época, mas aquilo já era demais. Estava mais do que acostumado a caçar leões, búfalos e pequenos animais mágicos. Em alguns casos nem utilizava sua armadura para capturar e derrotar dragonetes, kobolds e afins. Tinha uma boa reputação na eliminação de wyverns, apesar de geralmente não lutar sozinho contra esses, agora um dragão!? O que faria contra um dragão? Dragões eram seres temidos há eras, criaturas assassinas, extremamente inteligentes e GRANDES! Um dragão tinha o que, uns 50 metros de altura? Isso era absurdo!
E por que logo ele, logo naquela vila ao Norte distante, frio e vazio? As árvores em volta da estrada mal tinham folhas penduradas, ele não via um animal há dias e suas provisões estavam acabando, o vento não dava um segundo de trégua e suas roupas estavam congeladas por baixo da placa de peito amassada, resultado de inúmeras batalhas em terras mais quentes. “Tudo vai se resolver quando chegar lá”, disse seu contratante, um mago baixinho e aposentado, de aspecto suspeito e etéreo, com roupas bufantes de um azul brilhante, que viajara todo o caminho até o Sul em busca dos melhores guerreiros que pudesse encontrar. Todos recusaram a missão, todos exceto Astolfo.
O que ele faria quando encontrasse o dragão!? Diria “Por favor, ó honorável senhor dragão, poderia, por obséquio, sair da vila, por favor? Os moradores estão assustados com vossa magnânima presença”? Por que diabos tinha aceitado aquela missão mesmo? Quinhentas peças de ouro, quinhentas! Sua vida valia tão pouco assim? Era hora de desistir e voltar para casa, poderia dizer que, quando chegou na vila, o dragão já tinha destruído tudo, queimado a maior parte das casas e estava comendo os corpos que sobraram. Um leve toque de morbidez deixaria a história toda plausível, perfeita para livrá-lo do trabalho impossível e manter sua reputação intocada. Até voltar o dragão certamente já teria atacado a vila, se é que ainda não o havia feito. Doze dias de viagem para desistir nos últimos quilômetros… Sério mesmo, Astolfo?