Reflexões Divergentes

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5 de Setembro de 2024

Dois poemas sobre amor

Amor livre, anárquico, não monogâmico.

Não preciso de você

Nasci só
Filho do tempo e do pó
Desatei meus próprios nós

Cultivei com carinho meus traumas Feri meio sem querer várias almas Vi tormentas tornarem-se calmas

Vivi mais dias que sou capaz de lembrar Conheci mais nomes que sou capaz de recordar Sofri mais dores que sou capaz de chorar

Isso tudo antes de você E depois de você também Pois antes e depois de nós tem Um Eu e Um Você

Você viveu aventuras emocionantes Viu horizontes deslumbrantes Passou por dores lancinantes

Lutou para ter seu próprio lugar Se protegeu com esforço singular Neste mundo violento e vulgar

Sei que deitou-se com alguns por amor Com outros você o fez por rancor Com muito ou quase sem ardor

Tudo isso antes de mim E depois de mim também Porque a vida é assim Nós a vivemos Você e Eu

Certa vez pensei o que seria de mim Sem você seria o fim Um velório enfeitado em carmesim

Porém estava sendo dramático Os sentimentos não são estáticos Os caminhos trilhados são erráticos

Dei-me conta dos meus próprios sonhos persistindo mesmo em dias enfadonhos deles eu jamais me envergonho

E eles estavam lá antes de você E estarão depois também Porquê o desejo é desse jeito Habita apenas um coração O meu e O seu

E quando você for embora Daqui cem anos ou agora Darei uma volta lá fora

Deixarei acontecer esse luto Algo necessário e justo Toda perda tem um custo

Mas continuarei caminhando Por vezes cantando, noutras, chorando E, eventualmente, novamente, amando

Antes de você já era assim E para você, antes de mim Nosso caminho é singular O seu e O meu Apenas aconteceu de nos cruzar.

Pois o amor mais genuíno Sincero como um menino Não tem a ver com destino

Não é único e sequer eterno Não precisa de vestido, nem de terno tampouco de julgamento externo

É aí que está contida sua beleza Na nossa incomensurável proeza De fazê-lo resistir à incerteza

Eu não preciso de você E você não precisa de mim

Mas, por favor, não me entenda mal Não pense que eu sou assim tão racional Eu quero viajar contigo no próximo carnaval

Quero sentir nossos corpos colados Quero que me conte dos seus romances Quero saber o que você tem pensado Quero me impressionar ao te ver de relance Quero lembrar junto do nosso passado Quero aproveitar todas as chances

Quero em uma só linha adjacentes palavras separadas ainda assim rentes Você e Eu

Compersão

Dê-me a mão. Sinta meus dedos, o calor, a maciez da minha pele sobre a tua, a mudança na
cadência do teu coração, o fluxo sanguíneo por todo teu corpo.

Quais mãos tocaram as minhas antes da tua? Quais mãos irão te tocar após as minhas? Pouco importa. Não muda que tuas mãos calientes estão entrelaçadas às minhas agora.

Perceba o sentimento. Esse desejo mutuamente satisfeito. Ver-te assim, tranquila, sorrindo, isso me satisfaz.

E se eu souber que tu desejas outras mãos? O que faria eu? Poderia temer que me abandonasses, que as outras mãos fossem melhores do que as minhas, que tu não precisasses de tantas mãos assim e essas outras, novas, já fossem suficientes.

Veja, meu medo não tem a ver com tu tocares ou não em outras mãos. Tem a ver com não mais tê-las comigo.

Porém, se confio em ti, se sinto o teu desejo, por que temeria? Não tenho medo que outras mãos te aqueçam, te movam. Não quero que tu apagues teus desejos. Não acredito que eu seja a última criatura desejável no mundo este seria um peso horrível que não quero carregar.

Mais do que isso. Vejo tua alegria quando voltas de uma caminhada de mãos dadas.

Porque te censurar, se desejo o teu bem?

Então, se quiseres tocar outras mãos, vá. Conte-me depois com um sorriso no rosto. Volte com energia renovada. aquecida, o desejo pulsando intensamente.


Recomendações divergentes

Estive trabalhando ao som de um concerto de violão clássico hoje. Ana Vidovic é uma violonista sensacional e eu recomendo para quem quiser agradar os ouvidos.

Uma leitura bem agradável que me fez lembrar das Araucárias da minha cidade natal. E também nos faz refletir sobre o que priorizar em nossas vidas.

Sentada no chão, caneca na mão
Hora certa
Logo na entrada de Visconde de Mauá me encantei com a Igreja de São Sebastião, sua pintura impecável, gramado largo e a luz mágica de fim de tarde…
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2 years ago · 16 likes · 5 comments · Sara Pinheiro

E aqui mais um texto interessante para nos chamar de volta para algo muito humano que o capitalismo e as redes sociais nos tiraram: o tédio.

mar aberto
não fazer nada tem me devolvido pra mim
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2 years ago · 74 likes · 4 comments · maki de mingo

E mais um apontando cirurgicamente o Zeitgeist.

santuário
se comparar com os outros está arruinando sua vida
pov - espírito do tempo: se sentir ficando para trás…
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2 years ago · 28 likes · 6 comments · Camila Bindel

Aproveitando o ensejo, fique entediado hoje. Desligue o celular e fique olhando a rua de casa. Sente em um lugarzinho pra tomar um café e só fique observando. Não se ocupe, não olhe no relógio (se precisar sair ou resolver algo, coloque um despertador pra tocar depois de 15 minutos). Apenas exista.

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