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24/01/2019

Pragmatism, not idealism [002]

Na semana passada, falei algumas coisas a respeito de #10yearschallenge, a última hashtag criada pelo Facebook, e como eu acho que não há nada de inocente nela.  Hoje comento sobre um assunto que tangencia o anterior. 

Como dizia Chico Science, computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro. A ficção científica, seja na literatura ou no cinema, sempre foi pródiga em utilizar conceitos éticos para gerar boas histórias. Blade Runner, um dos meus filmes preferidos, nada mais é do que a história do encontro dos replicantes com seu criador. É, ao mesmo tempo, uma metáfora para o encontro do homem com deus e uma releitura da parábola do Filho Pródigo.

Mas a música também usa ciência como inspiração para criar. Ainda não temos músicas criadas por computador, mas eu sou fã das canções que pareçam ter sido composta por robôs. Fitter Happier, do Radiohead, é minha música favorita com estas características. 

Como a maior parte dos adolescentes dos anos 90, eu conheci Radiohead com Creep. Creep não é um música ruim, longe disso, mas soa como uma cópia de grunge feito por ingleses. Todo Pablo Honey, álbum que contém Creep, é assim.


Já OK Computer, o disco que contém Fitter Happier, é outra história. Retrato de uma sociedade deslocada, a obra anteviu o que seriam algumas das relações humanas durante o século XXI. A canção é cantada por um Macintosh e serve como um excelente um resumo do disco. É irônico ouvir um computador cantando o que humanos precisam fazer para serem mais ajustados e mais felizes na vida em sociedade.

Fitter Happier é  avant-garde num nível que normalmente não se via nas bandas com clipes rolando na falecida MTV.
 

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Quem tem acesso a um Mac pode reproduzir a voz utilizada em Fitter Happier. Basta abrir o terminal e digitar


say -v fred fitter. happier. more productive. comfortable. not drinking too much.
 

say é o comando que sintetiza voz no Mac. O argumento -v fred indica a voz a ser utilizada na . say -v ? lista todas as vozes disponíveis para simulação.

Os Macs tem vindo com sintetizadores de voz desde 1984.
 

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Até ontem à noite, o título desta newsletter era Write it, cut it, paste it, save it, verso de Technologic, uma canção do Daft Punk. Minha versão preferida desta música saiu no álbum Alive 2007.

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Lembro até hoje do dia em que peguei o livro O Guia do Mochileiro das Galáxias na biblioteca da Unisinos. Ao ler a história, conheci Marvin, o robô maníaco depressivo com tendências suicidas. Dias depois, me dei conta que o OK Computer tinha uma canção chamada Paranoid Android. 

Não acho que haja relação direta entre música e livro, até porque o eu lírico da canção é bem mais paranoico do que Marvin, alguém que é mais depressivo.
 

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Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, é um cara legal, mas vacila. Quem aqui não sabe que a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo o mais é 42? O problema é que não sabemos qual é a pergunta fundamental.

É uma pena que a qualidade da sua trilogia de quatro livros mais um livro extra vai decaindo conforme os livros avançam. Mesmo assim, a melhor piada de todas se encontra no terceiro livro. Nele finalmente descobrimos qual é a pergunta que dá 42 como resposta:

Qual é o resultado de seis vezes nove?

Infelizmente, nem todo mundo acha esta piada engraçada porque poucos pensam em fazer as contas utilizando base 13.
 



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