Maria de verdade
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Maria de Verdade - Carlinhos Brown (mas eu só consigo ler esta letra ouvindo a voz da Marisa Monte na minha cabeça)
Eu não li a maioria das análises, tanto as favoráveis quanto as desfavoráveis, do documento do Vaticano que desabona a ideia de Maria ser corredentora junto com Cristo, porque é um assunto chato e batido, que não é a primeira vez que aparece, a não ser sob essa roupagem.
Logo nos primórdios da Igreja teve um debate contra os "judaizantes", judeus convertidos que tentaram condicionar a salvação de Cristo à conservação das práticas judaicas. Ao mesmo tempo e também depois disto, vieram os gnósticos, condicionando a salvação a não sei qual conhecimento (seria um determinado conhecimento?, uma conclusão a que se deveria chegar, numa espécie de heureka espiritual?, um estado místico de iluminação proporcionada pela sabedoria? - sei lá), e também a uma iniciação esotérica.
Também tem a ideia de que é a correção moral que garante a salvação, uma ideia que acho que deve ter perpassado toda a cristandade e sobreviveu a ela, mantendo-se firme até hoje [1], ou então o exibicionismo religioso, etc. A Teologia da Libertação, que é fruto de uma escuta atenta à voz do Espírito Santo (na minha opinião), teve que lidar com um certo ruído nesta comunicação, que consistiu em, às vezes, atribuir a salvação aos pobres, ao invés de atribuí-la a Jesus. A teologia da prosperidade hoje em dia faz praticamente a mesma coisa, mas substituindo (convenientemente) os pobres da Teologia da Libertação - e o verdadeiro salvador, Jesus Cristo [2] - pela prosperidade material.
Além de não ter lido a maioria das análises do documento, também não li o documento em si (está na minha lista de leituras). Mas não é necessário ter lido para imaginar que o problema é o mesmo dos mencionados acima: atribuir a salvação ao que não salva, e não a Jesus. Além disso, no caso da corredentora, ainda por cima é uma tentativa de jogar sobre Maria um peso - da salvação - que ela não tem que carregar, assim como se faz, fora de quaisquer conotações espirituais, com as mulheres (não só) hoje em dia, tentando jogar em cima dela pesos, fardos e responsabilidades que não são delas, ou não são só delas, mas que o machismo acha que cabe a elas só porque são mulheres.
Em vez de mulheres - e de Maria - idealizadas, talvez o principal sentido do boicote do Vaticano à ideia da corredentora seja ver as mulheres - e Maria - de verdade.
«Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. A salvação é então confiada às forças do indivíduo ou a estruturas meramente humanas, incapazes de acolher a novidade do Espírito de Deus.» ( Placuit Deo, 3 - Concgregação para a Doutrina da Fé
Mesmo que em várias passagens bíblicas o próprio Jesus diga "tua fé te salvou", ele ainda é o único salvador. Pra mim essas passagens significam, em vez de uma fé que substitua Cristo, que há outros elementos que participam da salvação, ainda que ela não dependa de nenhum deles, a não ser de Cristo. Estes outros elementos são especialmente nós e Nossa Senhora, que fomos criados por Deus, mas também a fé, a caridade, etc.
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