Lucas 12,54-59
Jesus começa mostrando que sabemos ver os sinais do que vai acontecer no clima, mas não os sinais do que está acontecendo agora: a nossa redenção. Mas Jesus não pede que interpretemos sinais que dizem, indiretamente, algo que está escondido e precisa ser decifrado, mas sim que sejamos nós mesmos esses sinais, ou nas palavras do versículo 57: «porque também não julgais por vós mesmos o que é justo?», entrando em acordo com nossos adversários, o que só é possível perdoando - e só é possível perdoarmos porque antes de ofercermos o nosso perdão, nós fomos perdoados, mesmo que isto não esteja explícito no texto.
Isto talvez faça mais sentido ao ler o esclarecimento que o papa Francisco fez sobre um ponto impresvindível do perdão e da justiça. Primeiro, que perdoar é diferente de esquecer: «aqueles que perdoam de verdade não esquecem, mas renunciam a deixar-se dominar pela mesma força destruidora que os lesou» [1]. Mais adiante, prosseguiu escrevendo que
a justiça procura-se de modo adequado só por amor à própria justiça, por respeito das vítimas, para evitar novos crimes e visando preservar o bem comum, não como a suposta descarga do próprio rancor. O perdão é precisamente o que permite buscar a justiça sem cair no círculo vicioso da vingança nem na injustiça do esquecimento. [2]
Não entramos em acordo com um adversário esquecendo nem desrespeitando a justiça porque o parâmetro desta justiça é a justiça divina que perdoa, mas que (pelo que se pode deduzir das palavras de Jesus) também não esquece. Deus perdoa por amor, e toda ijnustiça que cometemos foi paga por Jesus na Cruz. A justiça divina, que é o perdão pela Cruz de Jesus, é o sinal do tempo presente [3] que precisamos reconhecer e, além de reconhecer, é aquilo do qual precisamos nos tornar sinais, perdoando por amor, pelo amor que vem de Deus.
Fratelli Tutti, 251
252
versículo 56
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