Jejum e abstinência na Quaresma
O que é o jejum/abstinência na Quaresma?
Uma prática religiosa, tanto no sentido de penitência (porque somos pecadores) quanto de participação no sofrimento de Cristo na cruz (porque estamos crucificados com Cristo). Como a cruz não tem sentido sem a Ressurreição, ou seja, não é um sofrimento em vão, apenas sofrer por sofrer, as renúncias desta penitência precisam incluir algum benefício para o mundo, mais ou menos como a Paixão de Cristo serviu para a nossa redenção.
Não é como se o resto do ano fosse de paz e tranquilidade pra compensar isso com passar algum perrengue na Quaresma. Todos os sofrimentos, dos menores aos maiores, podem ser oferecidos a Cristo[1] (e vividos com ele) todos os dias, mas eles geralmente são em função de outra coisa, como a penitência que é ter que correr pra não perder o ônibus: dá para oferecer esse sofrimento a Cristo, mas a intenção é pegar o ônibus, e não fazer penitência.
O período da Quaresma está mais para uma penitência voluntária só por Cristo, sem ganhar nada com isso, mas mais ou menos como atender ao pedido de Jesus " ficai aqui em vigília comigo"[2], não no horto e sim na cruz, no caso, o que é diferente de abrir mão de alguma coisa por necessidade[3].
O que não é o jejum/abstinência na Quaresma?
Não é nada do que aparece no incrível mundo do magistério paralelo: quem decide do que se abster é quem vai fazer a penitência, e ela não é um teste de resistência nem tem outras regras além das que a Igreja definiu[4].
Não é uma prática de biopoder ou de internalização da opressão[5].
Não é sadomasoquismo.
Apesar de certos entendimentos e argumentações que existem por aí, se a prática religiosa vira esse tipo de coisa, deixa de se religião e quase sempre vira exploração.
Foto de Annika Gordon na Unsplash
As alegrias também
Mateus 26,38
"Necessidade" inclui também uma necessidade ética, como a dos veganos que não comem carne e/ou outras coisas em protesto contra o sofrimento dos bichos, ou a de s. Paulo em 1 Coríntios 8 recomendando abster-se em benefício de quem está em processo de crescimento da fé.
Eu já vi influencers criticando alguém que decidiu fazer jejum de coca-cola e não de pepsi, explicando que Domingo não é dia de penitência mas se quiser fazer, pode, ou que é só pra "dar um alívio" e não o "dia do lixo" no meio da Quaresma, e outras digidoutrinas assim
Embora vá na linha de que se não nos dominarmos seremos dominados

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