[Grande Abóbora 015] Duas vezes em que Paul Gauguin foi citado pela MPB
A canção O Estrangeiro, do Caetano, começa com o verso
O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara
Apesar de ser uma forma excelente de iniciar uma música, essa afirmação não é inteiramente verdade. Sim, Paul Gauguin esteve no Rio de Janeiro, mas a visita dele ao Brasil se deu durante o tempo em que ele trabalhava na marinha mercante francesa, dos 17 aos 20 anos. Ou seja, bem antes de ser O Paul Gauguin que todos conhecemos.
A pintura surgiu como um hobby na vida dele após seu retorno a Paris em 1871, aos 23 anos. Nessa época, ele conseguiu um emprego como corretor da bolsa de valores. A carreira dele no mundo das ações durou até 1884, durando assim treze anos. Após uma crise na bolsa em 1882, ele planejou durante dois anos como dedicar-se inteiramente à arte, mudando sua carreira.
A essa altura ele já tinha 36 anos, era casado e tinha cinco filhos.
A partir daí ele passa a viajar o mundo e trabalhar com artistas como Vincent Van Gogh e Edgar Degas. Até que decide visitar o Taiti em 1891. Volta para a França em 1893 e se muda definitivamente para o Taiti em 1895.

E é nessa fase da sua vida que Noa Noa, do Vitor Ramil, se inspira. Os versos finais são um resumo daquilo que o músico imaginou para a vida do pintor:
Paul Gauguin é feliz afinal
Também nós
O seremos uma vez
O mundo idílico da Polinésia Francesa transformou Paul Gauguin. Ele não está, ele é feliz. A esperança é que nós também seremos felizes em algum momento, se é que já não fomos.
O que me faz lembrar da minha frase preferida de The Office, que não é uma piada do Michael ou o resultado de uma brincadeira do Jim. É um comentário do Andy, no último episódio do seriado:
I wish there was a way to know you're in the good old days before you've actually left them.
---
Eu gostaria que houvesse um jeito de saber que estamos nos bons velhos tempos antes que eles acabassem.