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14/11/2022

[Grande Abóbora 014] E aí eu virei pai

Para manter a vida do meu filho semi-privada, resolvi não divulgar esse assunto muito abertamente na internet. Fora as pessoas mais próximas, quase ninguém mais sabe da minha paternidade. Long story short, depois de um tempo na fila do Sistema Nacional de Adoção, no último 7 de setembro minha mulher e eu viajamos para Mossoró, uma cidade do interior do RN, para adotar nosso filho Benjamin.

Homem branco de barba segurando um bebê pardo no colo


Já são dois meses e meio de altas aventuras, fraldas sujas, muitos choros (não disse de quem) e acidentes com cocô. Não apenas com cocô, mas com todo tipo de secreção que um ser humano lactente é capaz de produzir. Por isso, nos últimos tempos passei a amar baba de bebê, pois sempre que sinto algo quente e molhado tocando a minha pele, saliva é a opção menos nojenta possível.


Como minhas novas obrigações não têm me permitido sair para fotografar, decidi tranformar o moleque em modelo. Volta e meia pego minha câmera e fico fotografando ele. Já foram quase 20GB de fotos nessa brincadeira, mas apenas as melhores são editadas e compartilhadas. Essa é a primeira vez que compartilho alguma foto dele em um local aberto. Até hoje, sequer comentei sobre a paternidade no Twitter ou no Instagram, exceto para os close friends.


Todo mundo fala do sono dos bebê, mas apenas recentemente descobri que eles têm um estilo peculiar para dormir. Quanto mais cansados eles estão, mais eles relutam em cair no sono. E isso vai deixando-os mais cansados, o que aumenta a recusa em dormir. É um paradoxo, mas até onde vi é algo normal. Só que, para piorar, atualmente ele está em uma fase em que não dorme mais no meu colo. Eu posso tentar o tempo que for e o menino fica lá, resmungando, batendo a cabeça, chorando eventualmente e se mantendo super acordado. Mas basta eu passar ele para o colo da mãe que ele desaba; cai em um sono profundo, até mesmo dentro de restaurantes a quilo durante o horário de almoço.


Além disso, a hora do sono é um ritual complexo, que deve ser executado sempre da mesma forma, sob a pena da criança não dormir direito. O primeiro passo é o banho de chuveri com água morna, para relaxar.  Num dia de sorte, ele começa a coçar os olhos ainda debaixo do chuveiro. Depois, colocamos uma fralda limpa, com o corpo dele besuntado com pomoda antiassaduras. Aí ele é vestido com uma roupa limpa, que em geral é um body e uma calça. Por fim, ele é ninado no quarto dele, com luz quente indireta de um pequeno abajur, enquanto ouve músicas da sua playlist particular. A música de ninar favorita dele é No Surprises, do Radiohead. Ele também curte Toro y Moi, Wilco, Belle and Sebastian e Jupiter Apple, não necessariamente nessa ordem.

Tem sido uma jornada interessante. Continuem ligados para mais novidades.

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