[010] Nostalgia
Antes do vídeo tomar conta da internet, as pessoas consumiam muito conteúdo em texto. Principalmente, texto humorísticos. Abaixo listo alguns destes textos que conheço há mais de 10 anos (o primeiro da lista, Um Dia de Merda!, conheço há quase 20) e, toda vez que os releio, eu gargalho como se estivesse lendo pela primeira vez.
(depois que escrevi a lista percebi que, dos cinco textos, três utilizam problemas intestinais em algum momento da narrativa. imagino que isto significa algo sobre o tipo de humor que me agrada)
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1. Um Dia de Merda!
https://www.mdig.com.br/?itemid=1375
Entrando no ônibus, sem sanitários, senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei:
- Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro.
Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante:
- Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1 hora, devido às obras na pista.
Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas.
2. Como me Fudi no Show do Los Hermanos
http://adolargangorra.blogspot.com/2008/11/como-me-fudi-no-show-do-los-hermanos.html
Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.
3. A Primeira Festa de Aniversário de Mano Wladimir
https://www.nababu.org/2006/07/a-primeira-festa-de-aniversario-de-mano-wladimir/
Mano Wladimir está tenso. No colo da mãe, Marisa Monte, ele ainda não conseguiu entender exatamente o que está se passando. Ao seu lado, Carlinhos Brown conversa com Wally Salomão, que cita uma poesia de Caetano Veloso, que dá um brigadeiro orgânico (sem chocolate e sem leite condensado) para Zeca, que leva um pito da mãe, Paula Lavigne. Mano Wladimir está tenso. É a sua primeira festa de aniversário.
4. E-mail pra amiga!
https://www.mdig.com.br/?itemid=4428
Amiga! Estou arruinada! Ontem à noite não resisti e me empanturrei. Coloquei bastante batata-doce na sopa, além de couve, repolho e beterraba. Menina, saí de casa que parecia um caminhão de lixo. Como eu peidava! (Nossa! Você não imagina a minha vergonha de contar isto, mas se eu não desabafar, vou me jogar pela janela!). No metrô, durante o trajeto para o trabalho, bastava um solavanco para eu soltar um futum que nem eu mesma suportava.
Teve um momento em que alguém dentro do trem gritou:
- Aí! Peidar até pode, mas jogar merda em pó dentro do vagão é muita sacanagem!
Uma senhora gorda foi responsabilizada. Todo mundo olhava para ela, tadinha. Ela ficou vermelha, ficou amarela, e eu aproveitava cada mudança de cor para soltar outro. O meu maior medo era prender e sair um barulhento. Eu estava morta de vergonha.
5. Bar ruim é lindo, bicho!
https://www.estadao.com.br/blogs/antonio-prata/bar-ruim-e-lindo-bicho-1/
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).
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"Meio intelectual, meio de esquerda" é uma expressão que uso até hoje, onze anos depois. A coisa mais meio intelectual, meio de esquerda que fiz na vida foi criar uma rede chamada "Fora Temer!" para compartilhar a internet do meu celular para o meu laptop.
No caso, um MacBook.
Enquanto eu estava num hostel em Madrid.
E, depois da rede compartilhada, percebi que meu computador localizou outras duas redes além da minha, nomeadas como "fora temer" e "Fora Temer".
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