[005] When I am king, you will be first against the wall
Uns meses atrás, a imagem abaixo apareceu em um dos meus feeds:

Embora eu não tenha encontrado nenhuma fonte que confirme que, de fato, os episódios dos Jetsons se passam em 2019, ver esta imagem me fez lembrar de uma teoria ótima sobre este desenho. Para quem não lembra, a cidade em que a Família Jetson morava não tinha ruas. Como os moradores possuíam carros voadores, era possível fazer o translado entre os prédios pelo ar.

Os prédios eram super altos e ficavam na altura das nuvens. Há teorias que dizem que isto era feito para que, no futuro, o meio ambiente estava tão destruído que ficar próximo ao solo era terrível. A humanidade teve que construir prédios altíssimos para escapar do destino no qual se meteu.
Entretanto, a minha teoria favorita é um pouco diferente desta. Eu gosto de pensar que humanidade teve que construir prédios altíssimos para escapar do destino no qual se meteu, mas nem todos conseguiram isso. Uma boa parte não conseguiu se mudar para o alto e teve que ficar próxima ao solo, vivendo em condições sub-humanas.
E as pessoas que ficaram embaixo são os Flintstones.

Os Jetsons, assim como toda obra de arte, pode ser interpretada de acordo com a época em que o interlocutor está vivendo. Em seu lançamento, nos anos 1960, a Família Jetson representava um futuro utópico, no qual o mundo oferecia condições excelentes para todos. Hoje, a realidade deles pode ser relacionada com um futuro distópico, no qual uma classe muito rica segrega aqueles que pertencem à base e, de certa maneira, sustentam o mundo.
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O desenho Harvey, O Advogado, tem uma cena ótima no crossover com os Jetsons. Rio até hoje do momento em que o patriarca Jetson explica para ele que "Somos do futuro. Nós somos do século XXI. Do distante e fantástico ano 2002". Aí o Harvey olha no calendário e eles estão no ano de 2004.
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A parte mais interessante de ver estas projeções para o futuro feitas no passado é acompanhar como elas vão ficando defasadas com o tempo. Mas isto não ocorre apenas em nossas predições para o futuro. Quando retratamos o passado, acabamos idealizando-o também.
No cinema, os westerns são uma representação muito forte desta máxima. Os cowboys de roupas limpas e gomex no cabelo abundavam nos filmes produzidos em Hollywood do final dos anos 1930 até os anos 1950. Ninguém suava nas telas. A representação do Velho Oeste só passou a ser suja com a proposta trazida pelas produções italianas. Filmes de baixo custo que em geral eram rodados na Sicília ou na Espanha, eles trouxeram um tipo de representação menos idealizada a respeito da conquista do Oeste.
O bacana é que as ideias europeias acabaram voltando para os Estados Unidos. Após a fase italiana dos westerns, os norte-americanos passaram a produzir histórias mais reais, mais calcadas na realidade.
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Paranoid Android é a canção que inspirou o título da newsletter desta semana. É outra grande canção do OK Computer, melhor álbum dos anos 90.
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