Cremação
Por favor queimem-me quando da minha morte. não acredito em deuses diabos, anjos ou espíritos. Nossa mortalidade já é ínfima diante da infinitude contida em uma colher de brigadeiro. Não preciso nada além de um doce para sofrer de vertigem existencial.
Não desejo que meus átomos (em verdade nunca pertenceram a mim nem a ninguém, nem às mãos que tentaram tocá-los e foram repelidas por seus campos elétricos causando-me longos arrepios atômicos, esses sim, muito, muito meus) sejam enterrados em uma caixa de madeira morta ou que as longas cadeias carbônicas de meus ossos mantenham uma vaga forma bípede humanizando algo que já não sou.
Libertem o gás carbônico e a água deixem que venham a ser parte das araucárias do futuro ou das sementes de espécies que ainda não surgiram.
Deixem ser respiradas por agrupamentos biológicos cuja probabilidade de existir é quase nula mas existirão, como brincadeira probabilística de um tempo tão longo que entedia-se com sua própria passagem e com a repetição do mar do qual os restos imortais dos átomos atemporais que constituíram este corpo farão parte, indo e vindo e rindo alheios à sua própria finitude.
Recomendações Divergentes
Se você tem redes sociais, fique 48 horas sem acessar. Desinstale do celular os aplicativos, é muito fácil instalar de volta. Sempre que tiver vontade de acessar, apenas não faça nada. Olhe pela janela. Senta no sofá e sente o tempo passar. Fique entediado.
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