[Grande Abóbora 26] A coisa mais pobre premium que já fiz
É assim que eu luto contra o grande capital (risos)
Uns anos atrás meu banco me colocou no segmento de clientes de alta renda. Não no segmento de alta alta renda, mas no segmento de alta renda dos assalariados menos fodidos. Ou seja, um pobre premium.
Uma das vantagens dessa segmentação era ter acesso ilimitado e gratuito a salas VIP em aeroportos ao redor do mundo. Correção: acesso ilimitado e gratuito a salas VIP em aeroportos ao redor do mundo para mim e todos os meus cartões adicionais. Com isso, minha mulher, filho, mãe e sogra ganharam seus cartões de crédito adicionais para usarmos sempre que viajássemos.
Ano passado as regras mudaram. Agora não bastava ter o cartão adicional, mas precisava também gerar um QR Code a partir do meu aplicativo do banco, comigo presente, e as visitas ficaram limitadas a seis anuais. Além da minha mãe e sogra terem dançado nessa, uma viagem com família de três pessoas, que é o meu caso, gasta seis acessos a salas VIP numa única viagem: três acessos na ida e três na volta, assumindo que não há paradas extras.
Com isso, fiz o que qualquer pobre premium que adora uma pulserinha VIP faria no meu lugar: aproveitei o acesso fácil a crédito no Brasil. Criei mais dois cartões de crédito que me dão direito, respectivamente, a mais quatro e mais duas visitas anuais. Ou seja, agora tenho 12 (6 + 4 + 2) visitas gratuitas em salas VIP em aeroportos, que cobrem razoavelmente bem as necessidades lá de casa. Juntando isso com alguns acessos ilimitados em salas VIP especiais, como algumas em Guarulhos, já dá pra viajar bem sem me preocupar com alimentação e lugares mais confortáveis para descansar.
Numa dessas viagens, agora no início de abril, a recepcionista de uma das salas VIP ia descontar três visitas de um dos meus cartões. Perguntei a ela, na cara dura, se ela poderia liberar a entrada do meu filho de graça. Ela respondeu “ah, assim economiza uma visita, né?” e liberou o menino. Por pouco eu não disse a ela “paz entre nós, guerra aos senhores”.
Eu tenho outra história boa sobre meu cartão de crédito que vou contar futuramente, caso seja do interesse dos meus leitores.
