[Grande Abobora 22] Meu amigo Fausto
Aqueles encontros que mudam o status quo
Devo a Fausto dois fatos importantes da minha vida. Ambos ocorreram ao acaso.
O primeiro deles foi ter me apresentado o jogo Magic: The Gathering em 1997, durante um intervalo da escola técnica em mecânica que cursamos. Na época eu jogava outro card game chamado Spellfire, baseado em D&D e lançado no Brasil pela Abril Jovem. Hoje tenho coleções físicas e digitais bastantes razoáveis de Magic.
O segundo deles foi ao nos encontrarmos no metrô, voltando de Porto Alegre para São Leopoldo. Ele estudava Letras. Embora eu não me recorde se seu interesse principal era literatura, eu lhe disse que gostava muito de Borges. Em particular, nos livros Ficções e O Aleph.
Ele já havia lido ambos os livros. Comentamos sobre os contos que mais gostávamos. Eu, daqueles com fundo matemático, como A Biblioteca de Babel, A Loteria em Babilônia e Funes, o Memorioso. Ele disse que gostava de Pierre Menard, Autor de Quixote.
Na época, eu não gostava deste conto. Achava um trabalho menor dentro daquilo que conheci de Borges. Em resumo, ele me explicou porque gostava do conto. Na época eu não mudei de opinião, mas passados alguns meses, depois de maturar as ideias que ele me contou, este se tornou um dos meus contos favoritos de todos os tempos.
Esse encontro no metrô deve ter sido há quase 20 anos. Salvo engano, foi a última vez que nos vimos. Eu virei professor universitário e não sei de seu paradeiro atual.
