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21/09/2026

#28 - Eu só tenho comprado livros com figuras

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Não sei dizer há quanto tempo não compro um livro de ficção. Não sei dizer sequer qual foi o último livro de ficção que comprei. Depois de algumas decepções literárias (Mia Couto, Tolstoy, uma antologia de contos de realismo fantástico publicada pela Cosac Naify), tenho reservado parte do meu orçamento para livros infantis, histórias em quadrinhos e livros sobre fotografia.

Compro livros infantis porque meu filho adora ler. Como acredito que só sou quem sou devido à leitura, quero proporcionar esta experiência a ele também. É um ponto em que minha mulher e eu concordados. Acredito que o menino já tem uma biblioteca de respeito para a idade.

Uma grande compra recente de livros para o pequeno

A bem da verdade, tenho comprado poucas histórias em quadrinhos. Como fui um jovem adulto no final dos anos 90 e início dos ano 2000, as obras da editora Vertigo eram um dos meus maiores sonhos de consumo. Já sinto saturação dos super-heróis desde aquela época. Hoje só tenho acompanhado Saga, do Brian K. Vaughan e da Fiona Staples. É uma história de capa e espada espacial como Guerra nas Estrelas nunca conseguiu ser. Recomendo a leitura.

A maior parte da minha verba acaba indo para livros de fotografia. Já devo ter uns 40, mais ou menos. Antes, eu comprava muitos guias sobre como ser um melhor fotógrafo. Depois de um tempo percebi que eles são mais ou menos a mesma coisa. As mesmas dicas genéricas sobre composição, edição e tal. O minha virada de chave aconteceu com História da Fotografia Autoral e Pintura Moderna, do Claudio Edinger. O irônico é que esta epifania surgiu para mim ainda no prefácio do livro, com a frase

O que não temos dentro não conseguimos expressar fora

De lá para cá, minha relação com imagens (e as minhas próprias imagens) mudou. Tenho lido imagens e fotografado com muito mais intenção. Isso tem me feito crescer e me desenvolver como pessoa.


Sobre livros sem imagens, não é que não tenha lido mais nada. Talvez atualmente seja um dos meus períodos mais intensos enquanto leitor, se não em quantidade, pelo menos em diversidade. Recentemente li um livro inteiro do Kafka enquanto me hospedava num resort (não era um livro longo). É só que, desde o advento da Z-Library, não senti necessidade de comprar mais nada para a minha biblioteca física.

Fazendo charme de intelectual enquanto mulher e filho brincam na piscina

A última grande autora que descobri é uma argentina chamada Samanta Schweblin. O último livro dela, já publicado no Brasil, chama O Bom Mal. É uma coletânea de contos de realismo fantástico, meu gênero favorito. Enquanto Borges e Bioy Casares seguem uma linha erudita em suas obras e Garcia Marquez parte para uma pegada mais popular, Schweblin tangencia o terror. É um tipo de realismo fantástico que me lembra muito Aura, de Carlos Fuentes, com seus personagens ingênuos sombrios que aceitam o umbral em que habitam.


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