Farfalhada niusleter
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Punhado de frases adstringentes escritas no meio-fio, no ponto de ônibus, no balcão da lanchonete
September 9, 2024
§ É fraco, mas vai em frente, enfrenta, mesmo ciente da sua fraqueza. Coragem: o fraco que vai. O contrário é petulância. O fraco que vai é forte. § Me...
Burnout geral e o desastre preferível à catástrofe
August 26, 2024
1. O tempo da aceleração terminou: estamos no superaquecimento, no burnout geral. Dos afetos à atmosfera, tudo superesquenta e derrete. É, afinal, uma...
Escrita e neurose
August 13, 2024
§ O povo letrado, povo tarado pelo signo e que, munido da letra, tudo devasta e determina: fato que remonta até aonde e quando? Nossa berço cosmogônico,...
Se chacoalhar, São Paulo explode?
August 1, 2024
1. A poesia que quero na vida existe em São Paulo? A poesia dos lixos abarrotados, transbordantes, do trabalhador no veneno, da gente pilhada, empilhada em...
Frango de padaria, pastor apocalíptico e outros haibuns
July 15, 2024
§ Velho edifício, construção do início dos anos 70. Há quem resida aqui desde a sua inauguração. Nunca foi reformado, apenas recauchutado. Todos os dias as...
Tudo implora para ser visto
July 2, 2024
§ Um rosto velho, marcado. Um rosto cavo, endurecido. Um rosto bruto, saturniano: as tristes fendas da sua tez ocultam a força das suas luzes. É um rosto...
Florianópolis hostil (ou a geração desabitada)
June 17, 2024
1. Não estamos saindo de Florianópolis, estamos sendo expulsos. Arrastados para fora, cuspidos. Na casebre úmido de uma amiga, as paredes da sala, de...
Um bilionário é um miserável
May 27, 2024
1. Quanto mais realizada uma pessoa, quanto mais sábia, menos ela se move, mais ela se recolhe. Mesmo a santa ou o monge andarilhos não exploram o espaço que...
Haibuns de outono
May 20, 2024
§ No asfalto, de meias pretas, jeans. O senho ferve. Por que escolhi vestir isto? Outono escondido por detrás do verão, tímido, ainda fraco. O outono demora...
Estoicismo de mercado e novas (des)vantagens
April 22, 2024
1. Estamos na passagem do sujeito depressivo hedonista para o estoico neoliberal. Daqui a cinco anos, com nossos planos, metas, agendas, todos nós estaremos...
O gosto pela aspereza
March 18, 2024
“Quem dormiu no chão deve lembrar-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é...
Pinscher no Escort vinho e outros haibuns
March 4, 2024
§ A solidão desse homem seco, soturno, sentando na muretinha da loja de aviamentos (fechada, porque dez da noite), diminui um pouco, nem tanto, na companhia...
Haicai e a luz da banalidade, da repetição, da hipnose
February 27, 2024
§ Se existe prosperidade e abundância fora da simples experiência cotidiana, não a verifico e, no limite, desconfio, não a contemplo. fundos da pizzaria —o...
Arrebatado para baixo
February 20, 2024
Do imensurável. A catástrofe ecológica que se aproxima, minuto a minuto, de uma sexta grande extinção em massa, é o evento nevrálgico não de uma geração, não...
São Paulo agressiva
February 6, 2024
1. Desembarco em São Paulo, rodoviária do Tietê, sexta-feira, 7h40, ensolarado. Menos de cinco minutos na cidade, atravesso a primeira rua e já sou assaltado...
Escombros e encantos: haibuns na ilha
January 22, 2024
§ Florianópolis, habitat da invasão predatória das big techs — mas capital provinciana, onde ainda, numa quinta-feira chuvosa de janeiro, a zeladora do...
Luz e tremor na planta dos pés
January 15, 2024
1. Divagação sentenciosa, elasticidade imaginativa, suposição à beira da suspeição, a relacionar eventos extremos com formação cultural, geofísica com...
Renúncia e frugalidade
January 9, 2024
1. Somos todos hedonistas, afinal. Até o monge é hedonista no seu ascetismo: seu prazer provém das suas renúncias. A chave é: qual programa de prazer...
Rachadura sob os pés: civilização, fissura e desencanto
December 6, 2023
1. Nós, completos desiludidos da civilização, não deveríamos crivar em nossas consciências, até o ponto da neurose, a realidade do fim deste mundo? Não ser...
Capitalismo e blindagem dos ritos de morte
November 19, 2023
1. Não houve paixão, viagem ou conquista material que transformou minha vida tanto quanto o acontecimento de ter visto um cadáver pela primeira vez. Lembro...
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