#5: menos eficiência?
O culto à produtividade e ao utilitarismo tem a capacidade do nos colocar em um modo asfixiante de viver. Querer fazer as coisas da maneira mais eficiente o tempo todo nos tira tantas possibilidades de encontrar novos ângulos, surpresas e prazeres.
Gestos triviais podem gerar resistência ao fazer mais, melhor e mais rápido. Quando saio a pé no meu bairro para ir até a padaria, visitar uma cafeteria ou fazer compras, entro numa rua diferente. Não vai ser o caminho mais rápido. Pelo menos ganho a chance de descobrir novos comércios, olhar para um prédio bonito de outro ângulo ou passar por uma rua mais arborizada.
Nos aprisionamos tão facilmente a determinadas maneiras de agir ou pensar, sem nem perceber a influência que isso tem no dia a dia que pode nos privar de pequenas alegrias.
Meus feeds, e posso apostar que os seus também, estão cheios de conteúdos com “as formas mais eficiente” para fazer X ou Y. A troco de quê? De mais estresse, de sentir que está ficando pra trás?
Talvez a graça esteja em descobrir o caminho, em vez de reforçar o “sujeito de desempenho”, explorador de si mesmo no culto da produtividade, como apresenta Byung-Chul Han.
Muito do que realmente valorizamos vêm com progressos lentos, que só notamos a médio e longo prazo. Não é da noite pro dia que nos tornamos bons em determinada habilidade, que conquistamos um objetivo ou que formamos nossos valores e maneira de pensar.
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O próprio envio dessa newsletter tem sido bastante errático, nada eficiente em termos de engajar novos leitores. Não pretendo entrar nessa neura.
Prefiro vir aqui de vez em quando e escrever um texto que me satisfaça do que encher sua caixa de entrada com qualquer bobagem pra manter um fluxo.
Sem links nessa edição, pra não aumentar a lista de leitura de ninguém.
Gostaria de ouvir do lado daí também. Você já parou pra pensar em resistir ao ímpeto de fazer mais, melhor e mais rápido? Em qual momento?