#4: web artificial e terceirização da criatividade
Pisquei e janeiro passou da metade. Escrevi nesse comecinho de ano sobre inteligência artificial e, vou te dizer, acho que vai ser difícil escapar desse tema se você acompanha minimamente tecnologia. Para quem trabalha na área, então, impossível.
Me parece que aquilo que chega pelos algoritmos das redes sociais é uma visão hiper otimista. E eu gosto dos contrapontos.
Primeiro, uma reflexão específica sobre a web: expectativa é nos depararmos cada vez mais com conteúdo gerado por IA. Do que vi até agora, a qualidade é muito baixa. Conteúdo de qualidade deve se elitizar (você pode argumentar que sempre foi assim, mas a internet parecia democratizar o acesso).
E o que vai acontecer quando os modelos se retroalimentarem desse conteúdo cada vez pior?
Para além da web, creio que a delegação excessiva das nossas atividades vai atrofiar nossa capacidade intelectual e de criatividade.
O que nos prometem é sempre mais produtividade, mais tempo livre para pensar naquilo que realmente importa. Na prática, terceirizamos o pensamento, deixamos que a máquina faça tudo por nós.
Não nos referimos a “processo criativo” por acaso. Se abandonamos o processo, o que sobra é insuficiente.
